I Congresso Internacional de Cultura Africana

1 - 11 de Agosto de 1962, Salisbúria, Rodésia do Sul (Harare, Zimbabwe)

[no definitivo]

«Pancho Guedes é um dos 37 delegados e um dos oradores da sessão inaugural, na qualidade de arquitecto e grande promotor da arte africana, sendo a sua comunicação apresentada por Tristan Tzara, que em seguida se deslocou de visita a Lourenço Marques. Ulli Beier não participou no Congresso (tal como Julian Beinart) mas terá colaborado na sua organização e é referido na lista dos agradecimentos no volume das actas que não chegou a ser editado (existem alguns raros exemplares de uma edição prévia e inacabada). 

Pancho Guedes levou ao congresso (com o apoio do turismo de Lourenço Marques) uma grande orquestra de marimbeiros de Zavala (Chopi Timbila Players) dirigidos pelo Chefe Zandamela, o Régulo Wahosi Felisberto Mallatine de Zandamela (que também falou na sessão de abertura, apresentado pelo musicólogo Hugh Tracey). E apresentou obras de cinco artistas de Moçambique na mostra dedicada à arte não-tradicional ou neo-africana (a par de mostras de arte tradicional e de arte moderna ocidental de influência africana). Além de Malangatana (representado mas não presente), foram expostas pinturas de Abdias Muchlanga ou Muhlanga e Metine Macie, e desenhos de Augusto Naftal e Alberto Mati - obras que voltaram a ver-se reunidas na exp. "As Áfricas de Pancho Guedes", 2010 (excepto no caso de Metine Macie).»1

«A exposição paralela ao congresso foi uma muito vasta mostra de arte africana, a maior de sempre até à data, segundo a Time Magazine (28-09-1962). Iniciava-se com as culturas que precederam a chegada da influência europeia e continuava até à “arte africana não tradicional dos anos 60” (The London Times, 12-08-1962). À época, enquanto “para muitos colonos brancos a arte africana era vista como uma treta (“a mumbo-jumbo sort of thing”), prova da ausência de instintos culturais nos nativos africanos”, o Rhodesia Herald dizia que nada mais se via que “crueldade, primitivismo e selvajaria”. [Frank] McEwen pretendia mostrar que “todo o movimento moderno na arte ocidental tem uma dívida para com a África primitiva”, já que são “muito poucos os artistas de estilo contemporâneo que não possuem alguma influência de África, bem digerida mas evidente” (Time Magazine N6). Barr comprou então as primeiras obras africanas modernas para o MoMA.»2

 

 

 

Bibliografia

1. POMAR, Alexandre, Beier e Moçambique, 1962, 27.04.2011

2. POMAR, Alexandre, África, anos 50/60, 12.02.2011

Southern Africa, 1900 A.D.-present, Key Events, Heilbrunn Timeline of Art History, The Metropolitan Museum of Art.

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