CEA

Centro de Estudos Africanos

 "In the 1950s, Neto, Cabral and Mario de Andrade secretly established a Centre for
African Studies (Centro de Estudos Africanos) with a broad agenda for promoting the
study of colonized black people, including the study and promotion of creative African
literature. A literary wing of the enterprise was the Casa dos Estudantes do Império." (MAZRUI, 1999, p.572) 

 

“Os anos de 1951 a 1953 são decisivos para a Negritude. À margem da CEI (cf. Mondlane, in Lutar por Moçambique), formou-se o Centro de Estudos Africanos, que funcionou semanalmente, aos domingos, durante dois anos (provavelmente entre Agosto de 1951 e o segundo semestre de 1953)1, em regime de seminário, numa sala do nº37 da Rua do Actor Vale (cf. Andrade, 1980: 43), na casa de Arlindo Espírito Santo, de São Tomé. O Centro chegou a ter um esquema de programa, que Andrade e Tenreiro redigiram, na sua primeira versão, em Agosto de 1951 (ibidem). A primeira sessão ocorreu em 21 de Outubro de 1951, a cargo de Francisco José Tenreiro, subordinada ao tema da estrutura geográfica do continente africano. Os principais colaboradores2 do Centro participaram, com trabalhos não assinados, no caderno especial da Présence Africaine, nº14 (1953), que deu voz aos estudantes negros de várias procedências, sob o título de “Les étudiants noirs parlent”. Eram eles Francisco José Tenreiro, Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Mário de Andrade e Alda Espírito Santo (cf. Andrade, 1980: 43). Essa colaboraçao foi possível graças a Mário de Andrade, que, nesse ano, demandou a capital francesa, passando, a partir daí, a integrar a Redacçao da conceituada revista negritudinista.

O Caderno de Poesia negra de expressão portuguesa, que Tenreiro e Andrade organizaram, e que saiu em Julho de 1953 3, foi uma outra iniciativa integrada nas actividades do Centro, que estabeleceu um novo marco estético para a apreciaçao literária em África. Este facto – da feitura do caderno ser da responsabilidade do Centro – , que quase nunca é referido, estamos em crer que por mero mas persistente esquecimento, propicia um entendimento da Negritude como projecto e realização de grupo, integrado num mais amplo movimento cultural e político, irradiando factos (textos literários e respectivo suporte paratextual) como uma assumida corrente literária.”(LARANJEIRA, 1995)

 

1 “Le “Centre” se réunit effectivement pendant une périod relativement courte (deux années), mais l’initiative en soi et la portée de son action trouverènt un ècho auprès de la jeunesse africaine » (Andrade, 1969 : 18)

2 Antero Abreu, no depoimento a Laban, 1991: 244-245, tem, como Senghor ou António Jacinto, um lapso de memória, e diz nao ter  a certeza de Amílcar  Cabral ter pertencido ao Centro. Por outro lado, afirma: “é engraçado, eu nunca pertenci  a esse Centro de Estudos Africanos”, o que, em parte, pode indicar o pressentimento de que a direcçao do Centro pudesse ter  sido discriminatória na escolha dos dirigentes. De facto, nao houve qualquer branco fundador.

3 Margarido, em carta de 26-5-1992, informa-nos de que na organizaçao do Caderno esteve uma pessoa que nao tinha nada a ver com a literatura, Guilherme (Guido) Espírito Santo, cuja visao acomodava o Existencialismo e o Neo-realismo que morreu num desastre de viaçao, na Bélgica, quando justamente emigrava para a Europa.

 

 

 

 

 

 

Bibliografia

LARANJEIRA, Pires(1995). A Negritude Africana de Língua Portuguesa, Porto, Edições Afrontamento.

Les Etudiants noirs parlent... (1953). Présence Africaine, 14. Paris

MAZRUI, Ali A.; ANDRADE, Mario de; ABDALAOUI, M’hamed ALAOUI; KUNENE, Daniel P.; VANSINA, Jan  (1999). "Volume VIII – Africa since 1935. Chapter 19 - The development of modern literature since 1935". In: UNESCO (ed.) General History of Africa. Disponível aquí.

SANTOS, Eduardo dos (1975). A Negritude e a Luta pelas Independências na África Portuguesa, Lisboa, Editorial Minerva.

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